XII Seminário Internacional de
FILOSOFIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA
julho-setembro
de 2007
Prof. Dr.
Michel Paty
Diretor de Pesquisa Emérito
Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), França
A ciência
como conhecimento simbólico.
Algumas visões filosóficas sobre a criação
de formas,
a compreensão do mundo e a questão dos valores.
INTRODUÇÃO.
O ARGUMENTO.
Por que escolher a perspectiva
do caráter simbólico do conhecimento científico?
Apesar desse caráter estar provavelmente implícito
em muitas aproximações filosóficas e históricas
modernas e contemporâneas sobre a ciência, raramente
ele é enfatizado como sendo fundamental. Os filósofos
contemporâneos preferiram geralmente seja remeter a questão
da ciência àquela da linguagem, seja remetê-la
diretamente à observação e à experiência,
numa postura pragmatista e empirista, julgando que o realismo
e o racionalismo pertencem respetivamente a um materialismo
e a um idealismo “obsoletos”. No entanto, mostraremos
o quanto ver o pensamento humano como forma simbólica
oferece uma perspectiva filosófica mais ampla e melhor
fundada, capaz de relacionar aspectos do conhecimento que eram
tradicionalmente separados, ou até opostos, sem negligenciar
por isso as distinções necessárias, mantendo
as especificidades e analisando-as. Como exemplos de tais distinções
ou oposições, mencionemos: a ciência e o
mito ou a ideologia; a razão e os afetos; o sujeito e
o objeto (mais precisamente, o papel do sujeito e os caracteres
da objetividade); ou ainda, a racionalidade e a historicidade.
Na perspectiva considerada, a obra de Ernst Cassirer, A Filosofia
das formas simbólicas, estudo fenomenológico e
antropológico da linguagem, do pensamento mítico,
e do conhecimento científico, é privilegiado a
título de incentivo, particularmente quanto à
continuidade ou às discontinuidades entre essas diversas
formas simbólicas.
O ponto de vista do conhecimento científico como pensamento
simbólico permite formular mais seguramente certas questões
tradicionais tais como o estatuto da cientificidade, a possibilidade
de falar de progresso do conhecimento, a natureza e o papel
dos conceitos e a referência das teorias, a estrutura
sistêmica e as mudanças, a continuidade ou as rupturas.
Este ponto de vista leva à eliminação de
falsos problemas filosóficos (tais como o “anti-realismo”,
sendo a solução das dificuldades do “realismo
ontológico”). Nesse ponto de vista, coloca-se com
efetividade a questão da imanência do objeto do
conhecimento e também a da racionalidade como função
do pensamento, ao permitir considerá-las em uma perspectiva
evolutiva e histórica. Ele permite ainda lançar
sob uma nova luz certos problemas que pareciam sem solução,
por exemplo, o da “intuição” (com
efeito, a intuição intelectual, a ser caracterizada
mais adiante), e torna possíveis e legítimas novas
questões sobre fatos do conhecimento que ficaram ignorados
ou rejeitados para fora do domínio da filosofia, tais
como a invenção e a criação nas
ciências, favorecendo o estudo de suas condições
de possibilidade, e notadamente seu relacionamento com a função
de racionalidade.
Por meio de várias modalidades, os valores, que são
geralmente considerados como separados do conhecimento objetivo
e científico, e alheios a este, estão de fato
presentes em uma ou outra das etapas de sua elaboração
e da sua “reflexão” (e, claramente, das suas
aplicações), particularmente através das
dimensões do sujeito do conhecimento, do papel da liberdade,
dos juízos “de verdade” e das escolhas de
significação. É importante de, pelo menos,
situar estes problemas sem sair do quadro do conhecimento objetivo,
aquele que fizemos nosso desde o início.
Consideraremos successivamente os temas seguintes:
1o seminário –
10/07/2007 – Uma escolha de ponto de vista
(o conhecimento científico como formas simbólicas).
Todo nosso conhecimento se situa num pensamento simbólico
do mundo, e nosso acesso a esse mundo é necessariamente
mediatizado pelo pensamento. Um dualismo prático para um
monismo de princípio. Além do empirismo, do realismo
“ingênuo” e da rejeição absoluta
da metafísica. Consideração das fontes não-científicas
do cientïfico.
2o seminário –
17/07/2007 – A idéia de “representação
simbólica do mundo”. Formas simbólicas, representações
conceituais e teóricas.
Natureza, possibilidade e modalidades do conhecimento científico
no interior do pensamento: a razão, os sentidos, a abstração,
os símbolos. Alguns elementos de história da filosofia,
para tentar situar a tomada de consciência do caráter
simbólico do conhecimento. Análise da obra de Cassirer
A filosofia das formas simbolicas. A idéia de “representação”,
como descrição ou explicação. A significação
de “predição” (teórica): critério
para a relação com o mundo?
3o seminário –
24/07/2007 – O simbólico e o racional.
Os meios do entendimento para dar conta do sensível. Formas
simbólicas e funções do pensamento. Linguagem
e ciência. Diferença do lógico e do racional.
Diversidade das formas de racionalidade. Categorias, principios,
conceitos. O caráter sistêmico e seus efeitos. Significação,
fundamentos, transformações.
4o seminário –
31/07/2007 – Sujeito transcendental e conhecimento
objetivo. Uma tensão dinâmica.
O pensamento científico como trabalho. A noção
de estilo científico. A objetividade pelos conceitos. O
elemento racional como (sintético) “a-priori funcional”.
A intersubjectividade e a dimensão social: tanto o movimento
do conhecimento, como a própria constituição
do sujeito e o propósito de objetividade, implicam a dimensão
intersujetiva e social. A tensão dinâmica entre a
sujetividade e a exigência de objetividade como motor das
transformações dos conhecimentos.
5o seminário –
07/08/2007 – A inteligibilidade como apropriação
racional.A invenção de formas e a criatividade científica.
O pensamento por conceitos. Relações entre a dimensão
racional e as outras propriedades ou funções do
pensamento. O papel da vontade. Aspectos da “intuição
inteletual” como percepção sintética
pelo entendimento. As transformações do conhecimento
consideradas na perspectiva do sujeito que as produz. Condições
de possibilidade da formação de novos conhecimentos.
6o seminário –
21/08/2007 – Historicidade: o conhecimento
científico como um fato da história.
Significação dos conhecimentos e suas transformações
no decorrer da história. Os saberes cientificos e as culturas.
Novas questões de estílo (Reflexividade do conhecimento.
científico e estílo em história da ciência).
7o seminário –11/09/2007
– A relação com o mundo.
Caráter indireto, e não obstante efetivo, da apreensão
do pensamento sobre o mundo. Crítica do empirismo e da
“naturalização” do conhecimento. Teorias,
experiências, modelos. As lições das evoluções
(do cosmos, do mundo, da vida, do pensamento). A questão
clássica “contingência e necessidade”
considerada nesta perspectiva.
8o seminário –
25/09/2007 – O lugar dos valores no conhecimento.
Sua diferença (os valores não estão na natureza,
e sim nos vêm da história), e suas ligações
efetivas através das significações e do papel
do sujeito e do social na formação, no pensamento
e na atuação dos conhecimentos.
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WITTGENSTEIN, Ludwig [1921]. (Original en allemand, 1921). Tr.
fr., Tractatus Logico-philosophicus par Gilles-G. Granger, Odile
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trad. por Luiz Henrique L. dos Santos), São Paulo, EDUSP,
Editora Universidade de São Paulo, 1993.
ZAHAR, Elie [2000]. Essai d'épistémologie réaliste,
Coll. Mathesis, Vrin, Paris, 2000.
Todas as atividades
ocorrerão no
Departamento de Filosofia da USP
Prédio de Filosofia e Ciências Sociais
Cidade Universitária
Organização:
Associação Filosófica Scientiae Studia
Apoio Institucional:
USP