III Seminário Internacional
FILOSOFIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA
Prática científica: a inter-relação
entre adotar estratégias e sustentar valores sociais
Prof. Hugh Lacey
Swarthmore College - EUA
Nos últimos cinco anos,
publicou-se um número significativo de trabalhos de filosofia
da ciência que visam analisar - em contraste tanto com a
perspectiva do empirismo lógico como com as tendências
construtivistas sociais radicais - o modo pelo qual as propostas
científicas podem ter tanto valor cognitivo (epistêmico)
como valor social. A maioria desses trabalhos tentam também
mostrar como suas análises possuem implicações
imediatas para as questões morais e sociais que têm
sido levantadas relativamente aos desenvolvimentos científicos
recentes. Elas representam um esforço renovado de levar
a filosofia da ciência a fazer contato com as práticas
e preocupações dos cientistas ativos.
Tendo em vista esse quadro, propomos nestes seminários
estudar e discutir alguns textos recentes que tratam das interconexões
entre as práticas científicas e os valores, as consequências
dessas interações para a objetividade do conhecimento
científico e seu impacto nas deliberações
éticas.
Seminário 1 –
18/03/2004
Em que momento das práticas científicas podem
os valores morais e sociais ter um papel legítimo?
Neste seminário, apresenta-se uma visão geral de
minha reflexão sobre a ciência e os valores, enfatizando
(a) as decisões que precisam ser feitas em três momentos-chave
das práticas científicas - a adoção
da estratégia, a aceitação das teorias e
a aplicação do conhecimento científico -
e o papel legítimo dos valores morais, sociais e cognitivos
em cada um desses momentos; (b) as distinções entre
imparcialidade, neutralidade e autonomia (noções
que têm sido importantes em meus escritos sobre ciência
e valores); e (c) a possibilidade de aceitar teorias de acordo
com a imparcialidade sob uma variedade de estratégias,
de modo que a imparcialidade possa ser satisfeita, embora não
se realize a neutralidade.
Seminário 2 –
15/04/2004
Uma análise da natureza dos valores
Neste seminário apresentarei os últimos desenvolvimentos
de minha análise sobre os valores, apresentada anteriormente
no segundo capítulo de Valores e atividade científica
e também no segundo capítulo de Is science value
free?. Neste caso são importantes os seguintes temas: (a)
a distinção entre valores cognitivos e os valores
sociais (ou todos os outros tipos de valores); (b)os juízos
de valores têm pressupostos, muitos dos quais estão
abertos à investigação empírica; (c)
palavras com substratos valorativos podem ser usadas nas teorias
(ou para fazer “enunciados fatuais”) que podem ser
aceitáveis de acordo com o requisito da imparcialidade.
Seminário 3 –
06/05/2004
A influência baconiana nas práticas científicas
modernas
A ciência enquanto tecnociência e as raízes
dessa suposta identidade na sustentação (do que
chamei em outro lugar) de a valoração moderna do
controle. Neste seminário, argumentarei que é razoaável
aceitar essa identidade entre ciência e tecnociência
(na totalidade das práticas científicas) somente
se certos pressupostos da valoração moderna do controle
puder ser sustentada em investigação empírica.
Seminário 4 –
31/05/2004
A controvérsia sobre os transgênicos: predominância
baconiana ou pesquisa conduzida sob uma pluralidade de estratégias
Os críticos dos transgênicos emfatizam com freqüência
(e apropriadamente) que existem alternativas produtivas e efetivas
ao uso de sementes transgências, por exemplo, nas práticas
da agroecologia. Mas a agroecologia está fora do âmbito
da tecnociência e desse modo (como veremos) sua viabilidade
depende de pesquisa conduzida sob uma pluralidade de estratégias.
Seminário 5 –
17/06/2004
Aplicação do conhecimento científico:
questões de eficácia e questões de legitimação
Um problema especial se origina em questões de legitimação.
A investigação tecnocientífica pode estabelecer
a eficácia de uma aplicação proposta, mas
a legitimação também requer que exista forte
evidência de que não existem riscos de implementar
a aplicação que não pode ser satisfatoriamente
manipulada à luz de regulações bem construídas
e de que não existem maneiras melhores de alcancçar
os benefícios esperados da aplicação. Freqüentemente
não é posssível aceitar tais enunciados existenciais
negativos de acordo com a imparcialidade. A legitimação
envolve (o que eu chamo) reforçá-los. Elaborarei
a distinção entre aceitar e reforçar, mostrando
como tanto os valores cognitivos e sociais estão essencialmente
implicados na elaboração de juízos de reforço.
As implicações deste aspecto para a controvérsia
dos transgênicos será explorada.
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Organização:
Grupo Temático Estudos de Filosofia e História da
Ciência
Apoio Institucional:
USP e Fapesp