Conferência Nacional
de Filosofia e História da Ciência

Experimento, observação e imaginação em Charles Darwin

Anna Carolina Krebs Pereira Regner
Programa de Pós Graduação em Filosofia
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) - RS
aregner@portoweb.com.br

O “experimento” em seu sentido técnico é um dos legados mais marcantes da ciência moderna. Nesta apresentação, examino, através da análise do significado de “experimento” e cognatos na Origem das Espécies (6ª. edição inglesa), as características que Charles Darwin lhe imprimiu. Essa análise mostra o experimento com uma dupla função: de esclarecimento conceitual e de teste (corroboração) da teoria darwiniana, as quais não raro se interpenetram. A análise proposta compreende, inicialmente, uma consideração da experiência em geral como fonte de conhecimento. A seguir, examino o significado de “experimento” e de sua usual relação com “observação”, a partir das suas ocorrências lingüístico-conceptuais no texto, incluindo o exame de quesitos tais como contextualidade da evidência, natureza e alcance do apoio fatual, predições e falseamento. Em particular, merecem destaque modulações nitidamente darwinianas que a análise de “experimento” revela, como o “estudo de casos exemplares”, uso de “diagramas” e de “ilustrações”. Por fim, será discutido o caráter próprio do “experimento” em Darwin, comparado com o padrão dominante à época, marcado pela ausência do a priori matemático, por sua novidade metodológica, pelo papel central da imaginação, pela natureza própria de seus “experimentos mentais” e pelo significado dos experimentos como modos de ver o real e nossas crenças sobre ele.

Organização:
Grupo Temático Estudos de Filosofia e História da Ciência