| agenda |

Ciclo de Conferências
Filosofia e Historia da Ciência

A ciência pode ser
politicamente neutra?

A imbricação entre fato e valor

Prof. Hugh Lacey
(Swarthmore College)


1. A ciência pode ser politicamente neutra?

Mantive que a idéia de que a ciência é livre de valores está composta por três componentes: imparcialidade, neutralidade e autonomia. Nesta palestra tratarei de alguns aspectos complexos que surgem em vinculação com a neutralidade. Pode a atividade científica e o conhecimento obtido por seu intermédio serem politicamente neutros, isto é, aceitáveis e considerados como possuidores de alto valor no contexto de todos os pontos de vista políticos contemporâneos? Distinguirei seis sentidos de "neutro" que podem ser encontrados na literatura filosófica e científica. Argumentarei a seguir que, numa amplitude considerável, a resposta depende do sentido de "neutro" que se emprega, mas que, naquele que considero o sentido mais importante, a neutralidade é, quando muito, uma aspiração que desencaminha. Meu questionamento dirige-se apenas â atividade científica per se. Não trato da tão discutida falta de neutralidade que deriva dos "usos inapropriados" da ciência, a partir de "bias": "interferências inapropriadas a partir de interesses políticos, corporativos e de outras espécies".


2. A imbricação entre fato e valor

Apresentarei uma visão geral dos argumentos - metafísicos, epistemológicos e lógicos - usados para defender a existência de uma dicotomia entre fato e valor e mostrarei por que nenhum deles é obrigatório. Não nego que existe uma distinção entre fato e valor, e aceito que não existem relações de implicação lógica entre enunciados factuais e juízos de valor. Contudo, fatos e valores estão profundamente embricados e explorarei algumas das principais dimensões dessa imbricação.

 

23 de setembro e 14 de outubro
às 15h00
DF-FFLCH-USP

inscrições:
secretaria@scientiaestudia.org.br