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VIII Seminário Internacional de Filosofia e História da Ciência

1o. semestre de 2006

Prof. Dr. Hugh Lacey
(Swarthmore College – EUA)

CIÊNCIA E VALORES

O objetivo geral deste seminário é o de analisar, detida e sistematicamente, os trabalhos recentes sobre as interelações entre os valores e as práticas científicas, as conseqüências dessas interações no que concerne à objetividade do conhecimento científico, e seu impacto sobre as deliberações éticas. As questões presentes nas controvérsias sobre o uso de transgênicos na agricultura servirão para ilustrar concretamente a relevância prática e usual das análises filosóficas mais abrangentes. Parte da discussão concentrar-se-á na distinção entre fato e valor; nas caracterizações de valores cognitivos e sociais e na questão do controle da natureza como um valor maximizado pelas práticas tecnocientíficas atuais. Não cabe dúvida sobre a relevância da discussão empreendida, uma vez que, nos últimos anos, foram publicadas diversas obras relevantes de filosofia da ciência que analisam – por oposição tanto ao empirismo lógico como às tendências radicais do construtivismo social – o modo como as propostas científicas podem ter valor cognitivo (epistêmico) e também valor social (e moral). Muitos desses trabalhos procuram mostrar como suas análises têm implicações imediatas para as questões práticas morais e sociais que surgem com os recentes desenvolvimentos da ciência. Representam um novo esforço para que a filosofia da ciência se aproxime das práticas científicas, daquilo de que se ocupam os cientistas. Particularmente importante será a discussão da dicotomia entre fato e valor empreendida por Putnam e que será objeto de reflexão detida no curso.


Programação

Seminário 1 – 23/03
Reunião preparatória sobre o seminário, as leituras a serem desenvolvidas e demais instruções gerais

Seminário 2 – 28/03
Introdução geral sobre a relação entre os valores e a prática científica.

Seminário 3 – 30/03
Análise geral dos valores. O que são os valores. Quais os tyipos de valores. Como eles se manifestam

Seminário 4 – 06/04
A natureza de valores: valores éticos e sociais / valores cognitivos. Os valores cognitivos e o objetivo da ciência.

Seminário 5 – 10/04
A idéia de que a ciência é livre de valores: imparcialidade, neutralidade, autonomia.

Seminário 6 – 11/04
O controle de natureza e os modos especificamente modernos de valorizar o controle.

Seminário 7 – 20/04
As estratégias adotadas na pesquisa científica. A predominância das estratégias materialistas. Valores morais e sociais e a adoção de estratégias.

Seminário 8 – 25/04
Estratégias que restringem as teorias admissíveis e selecionam os dados empíricos relevantes. As estratégias materialistas (SM) e a relação entre adocão de SM e a sustentação da valorização moderna do controle.

Seminário 9 – 27/04
A possibilidade de conduzir a pesquisa conforme múltiplas estratégias. As estratégias agroecológicas (SAE).

Seminário 10 – 02/05
A estrutura da controvérsia sobre os transgênicos

Seminário 11 – 04/05
Questões éticas, políticas e legais sobre os organismos transgênicos (geneticamente modificados) e seu uso na agricultura – e a importância da filosofia da ciência para resolver essas questões.

Seminário 12 – 09/05
Pluralismo metodológico: como estruturar as práticas científicas de modo que sirvam melhor ao bem-estar humano?

Seminário 13 – 11/05
Conclusões sobre a perspectiva da análise de valores na filosofia da ciência.

BIBLIOGRAFIA

Livros

LACEY, H (1998) Valores e atividade científica. São Paulo: Discurso Editorial.
_____. (1999) Is science value free? Values and scientific understanding. London: Routledge. (Paperback edition: 2004.)
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_____. (2006) A controvérsia sobre os transgênicos. Questões científicas e éticas. Aparecida: Editora Idéias e Letras, 2006.
_____. (no prelo) Valores e atividade científica, volume 2. Aparecida: Editora Idéias e Letras.
LONGINO, H. E. (2002) The fate of knowledge (Princeton: Princeton University Press).
KITCHER, P. (2002) Science, truth and democracy (New York: Oxford University Press).
ALTIERI, M. (1998) Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
SANTOS, B. DE S. (Ed.) (2004) Conhecimento prudente para uma vida decente: um discurso sobre as ciências revisitado. São Paulo: Cortez Editora.
SHIVA, V. (2001) Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento. Petrópolis, Vozes.


Artigos

LACEY, H. & OLIVEIRA, M. B. DE (2001) Prefácio a biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento, de Vandana Shiva. Petrópolis, Vozes.
MARICONDA, P. & LACEY, H. (2001) "A águia e os estorninhos: Galileu sobre a autonomia da ciência". Tempo Social, 13 (2001): 49-65.
MARICONDA, P. & RAMOS, M. DE C. (2003) “Transgênicos e ética: a ameaca à imparcialidade cientifica”. Scientiae Studia, 1, 2. p. 245–61.
OLIVEIRA, M. B. DE (1999). Da ciência cognitiva à dialética.São Paulo: Discurso Editorial.
_____. (2000) “A epistemologia engajada de Hugh Lacey II”. Manuscrito 23(1):185-203.
_____. (2002a) “A ciência que queremos e a mercantilização da universidade”. In: Loureiro, I. e Del-Masso, M. C. (Ed.). Tempos de greve na universidade pública. Marília, Unesp Marília Publicações. p.17-41.
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GONÇALVES CEZAR, F. & ABRANTES, P. C. (2003) “Princípio da precaucão: considerações epistemológicas sobre o princípio e sua relação com o processs de análise de risco.” – to appear.
LEITE, M. (2000) Os alimentos transgênicos. São Paulo: PubliFolha.
NODARI, R. O. & GUERRA, M. P. (2001) "Avaliação de riscos ambientais de plantas transgênicas," Cadernos de Ciência e Tecnologia 18: 61-116.
REGNER, A. C. (2000) "Ciência e valores: retomando o fôlego da questão". Episteme No. 10: p. 125-34.

Depto. de Filosofia - USP

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