V Seminário Internacional
FILOSOFIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA
História e estrutura da genética clássica
Prof. Dr. Pablo Lorenzano
Universidad
Nacional de Quilmes/Fapesp-Br
04 de outubro a
29 de novembro de 2004
Sala 113
das 10 às 13 horas
O Grupo Temático Estudos
de Filosofia e História da Ciência, financiado pela
FAPESP e coordenado pelo Prof. Dr. Pablo Rubén Mariconda,
e o Departamento de Filosofia da USP convidam todos os interessados
a participarem do V Seminário Internacional de Filosofia
e História da Ciência ministrado pelo Prof. Dr. Pablo
Lorenzano da Universidad Nacional de Quilmes - Argentina.
História e estrutura
da genética clássica
O seminário está composto por duas partes:
1a. Parte: história
da genética clássica
Ainda hoje se repete, total ou parcialmente, um relato considerado
como a história da genética par excellence, tanto
nas coletâneas de textos de genética, sobretudo nas
introduções, assim como em artigos e manuais de
genética e, por fim, nos livros de história da biologia
em geral e da genética em particular. De acordo com esse
relato – que poderia chamar-se história tradicional,
ortodoxa ou oficial -, a genética é apresentada
como uma disciplina cuja história decorreu de forma contínua,
acumulativa e linear. Desde suas supostas origens com o trabalho
de Mendel, passando pela obra dos chamados “redescobridores”,
Vries, Correns e Tschermak, e do mendeliano inglês Bateson
até o trabalho de Morgan e sua escola, a genética
teria transcorrido – omitindo alguns atrasos insignificantes,
ainda que interessantes do ponto de vista histórico –
sem atritos. Tanto os problemas como as intenções
da investigação dos cientistas acima mencionados,
assim como, em maior ou menor grau, o significado dos conceitos
fundamentais por eles utilizados e dos sistemas conceituais a
partir dos quais os conceitos adquirem seus significados supõem-se
serem constantes. O objetivo desta parte do seminário é
duplo: por um lado, questionar esse relato, mostrando-o como um
exemplo de interpretação “whig” ou “presentista”
da história da genética; por outro lado, apresentar
uma interpretação alternativa, baseada em uma análise
textual e contextual dos cientistas mencionados, na qual se acentuam
as descontinuidades e rupturas que se dão entre si.
1o. seminário –
04/10/2004
Johann Gregor Mendel e a suposta origem da genética
O objetivo do seminário será mostrar que Mendel
não foi o “fundador de la genética”,
já que: 1) o problema que enfrenta não é
o da herança, mas o da hibridação, 2) os
conceitos que introduziu para su solución não são
os mesmos que os posteriormente aparecidos na genética
clásica, 3) a ley que propõe sobre a formação
e o desenvolvimento dos híbridos não é idêntica
às mais tarde chamadas “leis de Mendel”, 4)
além do mais, desenvolveu mecanismos que não se
reencontram na genética clássica.
Bibliografia
Lorenzano, P., “Acerca del
‘redescubrimiento’ de Mendel por Hugo de Vries”,
Epistemología e Historia de la Ciencia, vol. 4, nº
4 (1998): 219-229.
Mendel, G., “Versuche über Pflanzen-Hybriden”,
Verhandlungen des Naturforschenden Vereins zu Brünn 4 (1865):
3-47; reimpreso en Ostwalds Klassikern der exakten Wissenschaften,
Nr. 6, Braunschweig: Friedr. Vieweg & Sohn, 1970. (Versión
castellana: “Experimentos en híbridos de plantas”,
en Mendel, G., Vries, H. de, Correns, C. y E. Tschermak, Cuatro
estudios sobre genética, Buenos Aires: Emecé, pp.
13-113; y en Stern, C. y E.R. Sherwood (eds.), El origen de la
genética, Madrid: Alhambra, 1973, pp. 3- 49.)
Mendel, G., “Über einige aus künstlicher
Befruchtung gewonnenen Hieracium-Bastarde”, Verhandlungen
des Naturforschenden Vereins zu Brünn 8 (1870): 26-31. (Versión
castellana: “Sobre los híbridos de ‘Hieracium’
obtenidos por fecundación artificial”, em Stern,
C. y E.R. Sherwood (eds.), El origen de la genética, Madrid:
Alhambra, 1973, pp. 51-57.)
2o seminário –
15/10/2004
Sobre a “redescoberta” de Mendel:
Carl Correns, Hugo de Vries e Erich Tschermak
O objetivo deste seminário é mostrar que os chamados
“redescobridores” não realizaram nenhuma redescoberta;
mas antes, projetaram sobre o trabalho de Mendel sua própria
problemática e conceitos, trabalhando em um período
de investigação “desorganizada” –de
“cristalização” – e, devido a
que se diferenciam entre si, atribui-se a Mendel coisas distintas.
Além do mais, o que propõem não é
o mesmo que aquilo que posteriormente se entendeu como genética
clássica.
Bibliografia
Lorenzano, P., “Acerca del
‘redescubrimiento’ de Mendel por Hugo de Vries”,
Epistemología e Historia de la Ciencia, vol. 4, nº
4 (1998): 219-229.
Vries, H. de, “Das Spaltungsgesetz der
Bastarde (Vorläufige Mittheilung)”, Berichte der Deutschen
Botanischen Gesellschaft 18 (1900): 83-90. (Versión castellana:
“La ley de disyunción de los mestizos”, en
Mendel, G., Vries, H. de, Correns, C. y E. Tschermak, Cuatro estudios
sobre genética, Buenos Aires: Emecé, pp. 105-122;
y “La ley de segregación de los híbridos”,
en Stern, C. y E.R. Sherwood (eds.), El origen de la genética,
Madrid: Alhambra, 1973, pp. 111-122.)
3o seminário –
18/10/2004 –
William Bateson e a emergência da genética
O objetivo do seminário é expor algumas das mudanças
de tipo conceitual e metodológica que tiveram lugar no
interior do estudo da problemática da herança durante
a primeira década do século XX e que levaram, em
virtude dos desenvolvimentos teóricos de Bateson e colaboradores
conhecidos sob a denominação de “mendelismo”,
ao estabelecimento do primeiro programa definido de investigação
na genética.
Bibliografia
Bateson, B., 1928, William Bateson,
F.R.S., Naturalist. His Essays & Adresses together with a
short account of his life, Cambridge: Cambridge University Press.
Bateson, W., 1909, Mendel’s Principles
of Heredity, Cambridge: Cambridge University Press, 1a. edición,
marzo de 1909; 2a. edición inmodificada, agosto de 1909;
3a. edición ampliada, 1913; 4a. edición casi inmodificada,
1930.
Lorenzano, P., “La emergencia de un programa
de investigación en genética”, por aparacer
en Al-Chueyr, L., Lorenzano, P. y A.C. Regner (editores), Filosofía
e Historia de las Ciencias de la Vida en el Cono Sur, AFHIC.
Punnett, R.C. (ed.), 1928, Scientific Papers
of William Bateson, Cambridge: Cambridge University Press.
4o seminário –
25/10/2004 –
Morgan e a teoria do gen
O objetivo do seminário deste dia é expor algumas
das mudanças pelas quais atravessou o trabalho científico
de T.H. Morgan que o
conduziram, junto com seus discípulos A.H. Sturtevant,
C.B. Bridges e H.J. Muller –mais tarde conhecidos como “o
grupo da Drosophila” –, a desenvolver a chamada “genética
clássica” (“formal” o “mendeliana”)
e a “teoria cromosômica (mendeliana) da herança”,
assim como também o modo pelo qual o fizeram.
Bibliografia
Lorenzano, P., Geschichte und Struktur der klassischen
Genetik, Frankfurt am Main: Peter Lang, 1995.
Lorenzano, P., “Leyes fundamentales, refinamientos
y especializaciones: del ‘mendelismo’ a la ‘teoría
del gen’”, em Lorenzano, P. y F. Tula Molina (eds.),
Filosofía e Historia de la Ciencia en el Cono Sur, Quilmes:
Universidad Nacional de Quilmes, 2002, pp. 379-396.
Morgan, T.H., “What are Factors in Mendelian
Inheritance?”, American Breeders’ Association Report
6 (1909): 365-368.
Morgan, T.H., “Chromosomes and Heredity”,
American Naturalist 44 (1910): 449-496.
Morgan,
T.H., “Sex-Limited Inheritance in Drosophila”, Science
32 (1910): 120-122.
Morgan,
T.H., Sturtevant, A.H., Muller, H.J. y C.B. Bridges, The Mechanism
of Mendelian Heredity, New York: Henry Holt and Company, 1915.
2a. Parte: A teoria genética clássica e
sua estrutura
Começando com o trabalho desenvolvido por J.C.C. McKinsey,
E. Beth y J. von Neumann no período que vai dos anos trinta
aos anos cinquenta, do final dos anos setenta e nos anos oitenta,
expande-se e acaba por impor-se em geral uma nova caracterização
das teorias científicas que se denominou concepção
semântica ou modelo-teórica das teorias. Na realidade,
não se trata de uma única concepção
mas de uma família delas que compartem alguns elementos
gerais. A essa família pertencem os respectivos seguidores
dos autores acima mencionados, P. Suppes B. van Fraassen y F.
Suppe, além de R. Giere, nos Estados Unidos; M. Dalla Chiara
y G. Toraldo di Francia, ana Itália; M. Przetecki y R.
Wójcicki, na Polônia; G. Ludwig, na Alemanha; N.C.A.
Da Costa, no Brasil; e a concepção estruturalista
das teorias, iniciada nos Estados Unidos por um estudante de Suppes,
J. Sneed, y desenvolvida na Europa, principalmente na Alemanha,
por aquele que reintroduz a filosofia analítica em general
y a filosofia da ciência em particular nos países
de fala alemã e demais países da Europa Central
ao final da Segunda Guerra Mundial, W. Stegmüller, e seus
discípulos C.U. Moulines y W. Balzer.
A concepção estruturalista é, dentro da família
de concepções semânticas, a que, por um lado,
oferece o instrumental analíticoconceitual mais detalhado
para levar a cabo uma análise da estrutura fina das teorias,
através tanto do tratamento de uma maior quantidade de
elementos como de uma melhora nos previamente identificados, e,
por outro, a que teve a maior quantidade de aplicações
bem sucedidas de análise dos aspectos tanto sincrônicos
como diacrônicos das mais diversas práticas e teorizações
das ciências empíricas (e também das formais),
desde la física até a teoría literária,
passando pela química, a biologia, a economia, a psicologia
e a sociologia.
O objetivo desta segunda parte do seminário é também
duplo: por um lado, apresentar as concepções semânticas
ou modeloteóricas da ciência, em especial a concepção
estruturalista das teorias; por outro, mostrar a análise
da teoria cuja história foi discutida na primera parte
– a “genética clássica”, “formal”
ou “mendeliana”– com as ferramentas proporcionadas
por dita concepção.
5o seminário –
08/11/2004
As concepções semánticas: as teorias como
entidades modelo-teóricas. A concepção estruturalista
das teorias.
O objetivo de seminário deste dia é expor as características
gerais das concepções semânticas ou modelo-teóricas,
localizando-as no contexto da reflexão filosófica
da ciência do século XX (e do que já ocorreu
no XXI) para dar assim o marco geral a partir do qual se desenvolve
a concepção estructuralista das teorias.
Bibliografia
Díez, J.A. y P. Lorenzano,
“La concepción estructuralista en el contexto de
la filosofía de la ciencia del siglo XX”, en Díez,
J.A. y P. Lorenzano (eds.), Desarrollos actuales de la metateoría
estructuralista: problemas y discusiones, Universidad Nacional
de Quilmes /Universidad Autónoma de Zacatecas/Universidad
Rovira i Virgili, 2002, pp. 13-78.
Suppe, F., “Introduction”, en Suppe,
F. (ed.), The Structure of Scientific Theories, Urbana, Ill.:
The University of Illinois Press, 1974, pp. 1-241. (Versión
castellana: “Introducción”, en Suppe, F. (ed.),
La estructura de las teorías científicas, Madrid:
Editora Nacional, 1979, pp. 13-266.)
6o seminário –
11/11/2004
Sobre as origens da concepção estruturalista de
teorias.
A noção de teoria de Patrick Suppes.
Adams e as pretendidas aplicações.
O objetivo deste seminário é apresentar as origens
da concepção estruturalista, a saber: a proposta
de análise das teorías científicas de Patrick
Suppes, e sua ampliação por meio dos desenvolvimentos
de um de seus doutorandos e depois colaborador, Ernest W. Adams.
Bibliografia
Suppes, P., “Some Remarks on the Problems
and Methods in the Philosophy of Science”, Philosophy of
Science 21 (1954): 242-248. (Versión castellana: “Algunas
consideraciones sobre los problemas y métodos de la filosofía
de la ciencia”, en Suppes, P., Estudios de filosofía
y metodología de la ciencia, Madrid: Alianza, 1988, pp.
29-37.)
Suppes, P., What is a Scientific Theory?”,
en Morgenbesser, S. (ed.), Philosophy of Science Today, New York:
Basic Books, 1967, pp. 55-67. (Versión castellana: “¿Qué
es una teoría científica?”, en Rolleri, J.L.
(ed.), Estructura y desarrollo de las teorías científicas,
México: Universidad Nacional Autónoma de México,
1986, pp. 167-178.)
Suppes, P., Representation and Invariance of
Scientific Structures, Stanford: CLI Publications, 2002.
Adams, E.W., 1959, “The Foundations of
Rigid Body Mechanics and the Derivation of Its Laws from Those
of Particle Mechanics”, en Henkin, L., Suppes, P. y A. Tarski
(eds.), The Axiomatic Method, Amsterdam: North Holland, 1959,
pp. 250-265.
Díez, J.A. y P. Lorenzano, “La concepción
estructuralista en el contexto de la filosofía de la ciencia
del siglo XX”, en Díez, J.A. y P. Lorenzano (eds.),
Desarrollos actuales de la metateoría estructuralista:
problemas y discusiones, Universidad Nacional de Quilmes /Universidad
Autónoma de Zacatecas/Universidad Rovira i Virgili, 2002,
pp. 13-78.
Suppes, P., Introduction to Logic, New York:
Van Nostrand, 1957. (Versión castellana: Introducción
a la lógica simbólica, México, CECSA, 1966.)
7o seminário –
22/11/2004
As modificações de Sneed à concepção
de Suppes.
Elementos teóricos, redes teóricas e evoluções
teóricas.
O objetivo do seminário é apresentar os componentes
básicos da concepção estruturalista, que
permitirão uma análise tanto sincrônica (mediante
a aplicação dos conceitos de elemento teórico
e de rede teórica) como diacrônica (por meio do conceito
de evolução teórica) das teorías científicas.
Bibliografia
Balzer, W. y C. U. Moulines (eds.), Structuralist
Theories of Science. Focal Issues, New Results, Berlin: de Gruyter,
1996.
Balzer, W., Moulines, C. U. y J. Sneed, An Architectonic
for Science. The Structuralist Program, Dordrecht: Reidel, 1987.
Díez, J.A. y P. Lorenzano, “La concepción
estructuralista en el contexto de la filosofía de la ciencia
del siglo XX”, en Díez, J.A. y P. Lorenzano (eds.),
Desarrollos actuales de la metateoría estructuralista:
problemas y discusiones, Universidad Nacional de Quilmes /Universidad
Autónoma de Zacatecas/Universidad Rovira i Virgili, 2002,
pp. 13-78.
Stegmüller, W., The Structuralist View of
Theories, New York: Springer, 1979. (Versión castellana:
La concepción estructuralista de las teorías, Madrid:
Alianza, 1981.)
8o seminário –
29/11/2004
A reconstrução da genética clássica
na perspectiva da concepção estruturalista das teorias.
Neste seminário final será apresentada uma análise
da genética clássica levado a cabo com os instrumentos
proporcionados pela concepção estruturalista das
teorias.
Bibliografia
Balzer, W. y P. Lorenzano, “The Logical
Structure of Classical Genetics”, Zeitschrift für allgemeine
Wissenschaftstheorie 31, n° 2 (2000): 243-266.
Lorenzano, P., “Classical Genetics and
the Theory-Net of Genetics”, en Balzer, W., Moulines, C.U.
y J. Sneed (eds.), Structuralist Knowledge Representation: Paradigmatic
Examples, Amsterdam: Rodopi, 2000, pp. 251-284.
Lorenzano, P., “La teoría del gen
y la red teórica de la genética”, en Díez,
J.A. y P. Lorenzano (eds.), Desarrollos actuales de la metateoría
estructuralista: problemas y discusiones, Quilmes: Universidad
Nacional de Quilmes/Universidad Autónoma de Zacatecas/
Universidad Rovira i Virgili, 2002, pp. 285- 330.
Organização:
Grupo Temático Estudos de Filosofia e História da
Ciência
Apoio Institucional:
USP e Fapesp