Conferência
Nacional
de Filosofia e História da Ciência
Modelos
e a Pragmática da Investigação Científica
Luiz Henrique de Araújo Dutra
(Departamento de Filosofia - UFSC)
Dia 6 de maio às 15h00 no DF-USP
Os defensores da abordagem semântica
na interpretação das teorias científicas
defendem que estas devem ser interpretadas como coleções
de modelos. Filósofos da ciência como Patrick Suppes,
Bas van Fraassen e Frederick Suppe explicam esse ponto supondo
que o termo “modelo” se refere a estruturas matemáticas,
como aquelas que permitem interpretar uma linguagem de primeira
ordem. Isso corresponde, mais precisamente, ao que se costuma
denominar modelo matemático. Não se trata, portanto,
de tomar “modelo” em seu sentido corrente, mesmo
entre cientistas e filósofos, segundo o qual um modelo
é uma cópia ou réplica. Outros filósofos
da ciência, não pertencentes ao grupo que defende
a abordagem semântica, tomam o termo “modelo”
em sentido mais lato, e, de fato, se aproximam da interpretação
intuitiva. Assim, por exemplo, Mary Hesse e Nancy Cartwright
falam, respectivamente, de modelos como analogias e simulacros,
isto é, como representações das coisas
que guardam com elas certa similaridade. Neste sentido, mesmo
Suppe contempla essa idéia quando descreve o que ele
denomina sistemas físicos, ainda que continue a associar
essa noção à abordagem semântica.
É verdade que se desejamos lidar de forma mais clara
e rigorosa com certas noções semânticas
como verdade e adequação empírica, que
é a preocupação fundamental de van Fraassen,
a noção de modelo matemático é mais
conveniente para a interpretação das teorias científicas.
Apesar da preocupação de van Fraassen com a dimensão
pragmática da ciência, por exemplo, no que diz
respeito à explicação científica,
sua discussão dos modelos se restringe ao domínio
estritamente semântico. Este não é o caso
de Hesse, Cartwright e mesmo Suppe que, em maior ou menor medida,
estão também preocupados com o papel que os modelos
e as noções semânticas desempenham na investigação
científica.Neste texto, vamos procurar contemplar esta
preocupação, e discutir mais detalhadamente a
noção de modelo como réplica. Isso não
descarta o papel desempenhado pelos modelos matemáticos.
A nosso ver, do ponto de vista da investigação
científica, há uma relação estreita
entre os modelos-réplicae os modelos matemáticos,
que também vamos procurar discutir mais detalhadamente.
Entretanto, para que a noção de modelo seja eficiente
na prática científica, e elucidativa a seu respeito
quando é empregada pelo filósofo da ciência,
é preciso interpretar os modelos de forma operacional.
Assim, vamos propor, uma interpretação dos modelos
como classes de padrões de investigação.
Organização:
Grupo Temático Estudos de Filosofia e História
da Ciência