Conferência Nacional
de Filosofia e História da Ciência

Realismo e Microscopia

Otávio Bueno
Departamento de Filosofia
Universidade da Carolina do Sul
Columbia, SC 29208, EUA
e-mail: obueno@sc.edu

O problema do realismo em microscopia tem intrigado tanto filósofos quanto cientistas. Em que condições podemos afirmar que imagens produzidas por microscópios correspondem a características de fato presentes na amostra em estudo, e não são meros artefatos dos instrumentos de medida? Ian Hacking articulou algumas dessas condições, formulando quatro argumentos para apoiá-las, e concluiu que, contanto que tais condições sejam satisfeitas, temos razões para acreditar que as entidades detectadas pelos microscópios de fato existem. A posição resultante é uma forma de realismo de entidades (Hacking [1981] e [1983]). Recentemente, Paul Humphreys re-avaliou os argumentos de Hacking, e após reformulá-los, concluiu que eles apóiam uma conclusão diferente: devemos ser realistas acerca das propriedades que são medidas pelos microscópios em questão. A posição resultante é uma forma de realismo de propriedades (Humphreys [2004]). Neste trabalho, após examinar as características básicas do microscópio de tunelamento (scanning tunneling microscope), argumento que os argumentos de Hacking e Humphreys não se sustentam, e desenvolvo uma posição alternativa, muito mais deflacionária, sobre a realidade em microscopia.

Referências:

Hacking, I. [1981]: “Do We See through a Microscope?”, Pacific Philosophical Quarterly 62, pp. 305-322.

Hacking, I. [1983]: Representing and Intervening. Cambridge: Cambridge University Press.

Humphreys, P. [2004]: Extending Ourselves: Computational Science, Empiricism, and Scientific Method. New York: Oxford University Press.

Organização:
Grupo Temático Estudos de Filosofia e História da Ciência