Fórum Mundial Ciência e Democracia

World Forum Science and Democracy

I FMCD - Belém do Pará - Brasil
From January, 26th to 31st 2009
De 26 a 31 de Janeiro de 2009

Confira:

Program/Programação

Documentos

Notícias na imprensa

Interview with Andrew Feenberg

Declaração sobre a Conferência de Copenhagen

A ciência e os perigos do aquecimento global, de Hugh Lacey

Manifestação francesa. Jornada 23/janeiro. Bourse - Paris

Convocatória para participação no evento ESOCITE 2010

Site do Fórum Mundial Ciência e Democracia


Ciência e democracia:
por um diálogo entre cientistas e
movimentos sociais no Brasil

A humanidade enfrenta hoje enormes desafios, decorrentes dos efeitos cumulativos de duzentos anos de industrialização, exacerbados pela aceleração do ritmo da pesquisa científica e da inovação tecnológica e sua difusão pelo sistema econômico, assim como pelas condições do capitalismo globalizado. São questões com as quais nenhuma cultura do passado teve que se defrontar, envolvendo a degradação do meio ambiente, as mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas e a procura de energias renováveis; a conexão global na produção atual de conhecimentos; as promessas e riscos presentes nas fronteiras da tecnociência, a forma como essas atividades são hoje realizadas, e o problema do seu controle democrático pela sociedade; o enorme progresso potencial que representam para o mundo moderno e a redefinição da própria condição humana.

Ciência, técnica e interesses sociais e econômicos estão hoje profundamente imbricados, interagindo e influenciando-se mutuamente; muitos movimentos que lutam por mudanças já perceberam que somente com uma apropriação cidadã ampla desses temas será possível enfrentar os desafios de nosso tempo. Essa percepção fundamenta a proposta de organizar, junto com o próximo Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, em janeiro de 2009, um “Fórum Ciência e Democracia”.

Como afirma a convocatória do Fórum, lançada em fins do ano passado, “pensamos que a construção de um espaço de cooperações abertas, de debates públicos, amplos e democráticos, entre cientistas e organizações do movimento social em escala planetária abriria perspectivas novas para:

(1) promover e desenvolver o estatuto de bens comuns dos conhecimentos da humanidade;
(2) debater os desafios e os meios para a ciência e os cientistas exercitarem sua responsabilidade social;
(3) reforçar a autonomia da pesquisa, defender as missões de serviço público da pesquisa, e melhorar as condições nas quais as atividades científicas são realizadas pelos estudantes, pesquisadores e engenheiros;
(4) reforçar a capacidade dos movimentos de cidadãos de produzir conhecimento e de ser parceiros das instituições científicas;
(5) reforçar a capacidade das nossas sociedades, tanto ao Norte como ao Sul, de tomar decisões democráticas no campo das ciências e das tecnologias.

Os membros da comunidade científica e os atores dos movimentos sociais precisam compartilhar seus conhecimentos especializados e suas concepções para construir uma sociedade mais respeitosa dos direitos humanos, das culturas e das necessidades sociais e ecológicas” [fsm-science.org].

O êxito dessa iniciativa dependerá, em grande medida, da capacidade de membros da comunidade científica e universitária e de movimentos sociais brasileiros estabelecerem esse diálogo já na preparação do evento, de modo que, como atores do país anfitrião, possamos fecundar o Fórum com os desafios e debates que nos mobilizam.

De fato, vivenciamos uma evidente aceleração
da produção científica e tecnológica que tem, em muitos casos, conduzido a problemas sociais e culturais decorrentes de aplicações apressadas que visavam exclusivamente o ganho econômico ou o prestígio. A própria ciência sofre aqui, para o exercício consciente da responsabilidade social, o embate da ausência de discussão mais ampla e democrática das fronteiras entre o público e o privado. Áreas vitais para a humanidade, tais como a alimentação, a saúde, o trabalho, as organizações comunais e extensas formações culturais sofrem o impacto desorganizador da aplicação tecnológica extensiva e apressada; é uma questão de boa regulação social levar em conta os concernidos, fazer com que sejam informados, esclarecidos e consultados, de modo a garantir democraticamente a eqüidade dos benefícios efetivos produzidos pela ciência.

Como é possível, nessas condições, desenvolver a ciência com responsabilidade social e compromisso público? Como podemos garantir as condições de acesso aos frutos da pesquisa pela maioria da população? Como podem a ciência e a técnica contribuir democraticamente para a superação dos problemas nacionais até hoje não resolvidos? E, mais ainda, contribuir para o enfrentamento das grandes questões que afligem o conjunto da humanidade?

É com essa pauta que os membros da comunidade científica e universitária e os atores dos movimentos sociais do Brasil participarão, juntamente com todos os demais atores internacionais, das discussões do fórum “Ciência e democracia”, que terá lugar no primeiro dia de manifestações do Fórum Social Mundial de Belém em 2009.

Mais informações:

www.forumsocialmundial.org.br


fsm-sciences.org