Ao longo do desenvolvimento da filosofia e da ciência, a busca por leis gerais e regularidades
necessárias norteou a investigação como um todo e, em virtude disso, o conhecimento provável foi
visto, durante muito tempo, como uma espécie de degenerescência do conhecimento propriamente dito.
Paulatinamente, porém, o desenvolvimento do cálculo de probabilidades e da estatística virou o jogo,
metaforicamente. A probabilidade, o risco e a incerteza requerem uma filosofia daquilo que falha,
que é imprevisível e que pode não se encontrar determinado por relações de necessidade. Esse é o
tipo de conhecimento que fornece a justificação possível para os estudos clínicos experimentais, que
sustenta o planejamento dos sistemas de saúde pública e de seguridade social, que embasa as
investigações das mudanças climáticas e dos riscos ambientais, que viabiliza os algoritmos
estatísticos dos sistemas de inteligência artificial etc. Mais do que nunca, vale a pena levar a
sério a célebre máxima de que “a probabilidade é o guia da vida”. Da vida real, que é incerta,
perigosa e arriscada.
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"Este livro é uma aposta
certa para aprender os conceitos básicos de probabilidade e se iniciar na
área de Filosofia da Probabilidade. O autor escreve de forma agradável e
didática, com só um mínimo de notação matemática, fornecendo-nos uma
caixa de ferramentas para entender o cálculo de probabilidades. Passeia
pela história dos conceitos de probabilidade, estatística e decisão,
descrevendo o surgimento tardio das respectivas teorias. Parte dos
astrágalos assimétricos dos antigos, passando pelo problema dos pontos de
Pascal e Fermat, até chegar no demônio de Laplace. Examina apostas na
Megasena, que não são racionais, mas onde jogar 55-56-57-58-59-60 é tão
bom quanto qualquer outra escolha, ou até um tiquinho melhor. Examina a
falácia do jogador, e por que é irrelevante que um número tenha ficado
muito tempo sem ser sorteado. Explica a regra de Bayes, o problema de
Monty Hall e também como lavar dinheiro apostando em loterias!
Explorando a teoria da decisão e a noção de risco, apresenta o paradoxo de
São Petersburgo, a famosa aposta de Pascal na existência de Deus, o dilema
do bonde e a aplicação em veículos autônomos. O autor dedica a terceira
parte do livro para o estudo das cinco principais interpretações do conceito
de probabilidade. Ao final, examina algumas controvérsias, como o
problema da indução, o do risco indutivo e o da viabilidade futura das
sociedades humanas. Um livro extraordinário, um roteiro de temas e
problemas, que fornece elementos racionais para o exercício do
pensamento crítico." (Osvaldo Pessoa Jr.)
RENATO RODRIGUES KINOUCHI nasceu em Araraquara/SP e atualmente vive em São Vicente/SP. Desde 2006, é professor de Epistemologia e Filosofia da Ciência na Universidade Federal do ABC, onde também atua como orientador no Programa de Pós-graduação em Filosofia. Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (2004), realizou estágios pós-doutorais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (2012) e no Centre for Philosophy of Natural and Social Sciences da London School of Economics and Political Science (2018). É autor do livro A dinâmica da consciência: William James revisitado (2013) e tradutor das obras Ilustrações da lógica da ciência (2008) e Acaso, probabilidade e indução (2023), que reúne ensaios de Charles S. Peirce. Nas horas vagas, gosta de passear com seus cães, se aventurar ao piano, praticar yoga e dedicar-se ao aquarismo e à jardinagem.